quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Enxaqueca por motivos sociais


      É isso mesmo que você leu. Tenho certeza de que parte dos sintomas de ansiedade que tenho, incluindo a enxaqueca, são causados pela sociedade em que insisto em viver e conviver. 
      Sou professora da rede municipal no meu município há quatorze anos e isso por si só já é um acúmulo de desespero tamanho. Imagina como é lecionar na rede pública de um município que não valoriza a educação como deveria? No momento estou em greve mais uma vez, foram mais de quinze nesses anos e todas tiveram poucos avanços, embora ainda assim conseguíssemos avançar aos trancos e barrancos ameaçando a trajetória política dos nossos vereadores e prefeito. MAS NÃO AGUENTO MAIS. A greve deveria ser a última instância a qual deveríamos recorrer porque o prefeito deveria conversar com os professores e tentar tomar providências antes de chegarmos a decretá-la.
     Infelizmente não é esse o pensamento vigente em nossos governantes. Eu acompanho os noticiários, leio as informações na internet, leio livros sobre o contexto social do terceiro mundo, participo de discussões no sindicato, conheço plataformas político partidárias, assisto palestras com doutores em Ciências sociais e políticas... e para que? Para piorar minha enxaqueca. Sei das políticas neo liberais de austeridade e sei da crise financeira que atingiu o Brasil, fabricada ou não, sei que todos temos nossa parcela de responsabilidade mesmo que seja ao não discutir política com os amigos, mas é muito dolorido não enxergar mais um futuro bom porque não acredito nos brasileiros de hoje em dia. É tanto fanatismo sem leitura, tanta crença em vídeos com pessoas bonitas explicando a verdade absoluta, tanto antagonismo por nada, tanto imediatismo, tanto egoísmo, que parece que a face pior do capitalismo está dominando o mundo. E os que são contra, por sua vez, tendem a ter o mesmo comportamento como birra. Onde estão as pessoas ponderadas e com fala mansa que conhecem a fundo a história do homem que eu admirava na infância? Achava que existiriam aos montes quando eu crescesse. Ledo engano. 
     Gera em mim uma ansiedade sem perspectiva de melhora isso de ver os políticos humilhando os trabalhadores e declarando verdades loucas sobre o inchaço da máquina pública e de como os gastos (para mim, investimentos) em educação são exorbitantes no meu município. Eles ganham tão bem para não fazer quase nada por nós. Tão poucos realmente pensam, discutem, imaginam melhorias para a população. Já ouvi disparates do tipo: "para ganhar um projeto, a gente sempre se corrompe um pouco" (assessor de um vereador) ou "se não entrar no jogo, não sobrevive"(senso comum), mas até agora somente coisas pequenas passam pela Câmara em função da população e sem fiscalização nenhuma, sem contar que alguns projetos que sequer contam com infraestrutura são então aprovados e engavetados ou  se transformam em apenas uma forma a mais de desvio de dinheiro público.
    Só queria entender como alguém (de posse de cargo político eletivo) pode dormir tranquilo sabendo que é detentor do poder de modificar a vida de milhares de famílias que elegeram o cidadão e apenas inventar desculpas e mais desculpas para roubar ou deixar roubar nossos impostos pagos de maneira tão sofrida. Sigo com  minha enxaqueca.

   


terça-feira, 6 de junho de 2017

Ando tendo enxaquecas mês a mês quando minha TPM se achega. Ou pelo menos parece ser na mesma época, porque fico dengosa, raivosa, chorona e preguiçosa junto com a dor de cabeça... também fico com muita fome.
Dessa última vez até crise existencial acompanhou a malvada. Tenho pensado demais na vida nesses últimos anos, mais parece que estou na adolescência. Boa!! Parece que estou em outra adolescência. Considerei a hipótese de menopausa precoce que justificaria mudanças hormonais e até a enxaqueca, mas não foi confirmado pelos exames. Logo, deve ser adolescência novamente (adoro uma justificativa idiota para minhas crises existenciais).
A verdade é que tenho sido acometida por intensas crises de ansiedade e até uma ou outra crise de pânico de leve, fazendo com que minha cabeça tenda a pirar e tentar entrar de volta no eixo à força. Isso deve ser comum no mundo aí fora... fora da minha cabeça. Mas esse mundo me deixa em pânico em um amontoado de vezes quando saio do meu mundinho...acho que deveria sempre levar a toalha*!

*Segundo Douglas Adams em seu livro 'O Guia do Mochileiro das Galáxias'...a toalha é um dos objetos mais úteis para um mochileiro interestelar. Em parte devido a seu valor prático: você pode usar a toalha como agasalho quando atravessar as frias luas de Beta de Jagla; pode deitar-se sobre ela nas reluzentes praias de areia marmórea de Santragino V, respirando os inebriantes vapores marítimos; você pode dormir debaixo dela sob as estrelas que brilham avermelhadas no mundo desértico de Kakrafoon; pode usá-la como vela para descer numa minijangada as águas lentas e pesadas do rio Moth; pode umedecê-la e utilizá-la para lutar em um combate corpo a corpo; enrolá-la em torno da cabeça para proteger-se de emanações tóxicas ou para evitar o olhar da Terrível Besta Voraz de Traal (um animal estonteantemente burro, que acha que, se você não pode vê-lo, ele também não pode ver você -estúpido feito uma anta, mas muito, muito voraz); você pode agitar a toalha em situações de emergência para pedir socorro; e naturalmente pode usá-la para enxugar-se com ela se ainda estiver razoavelmente limpa