terça-feira, 10 de junho de 2014

Eu sofro de enxaqueca... e daí?

Faz muito tempo que esse mal chamado enxaqueca me atinge. Agora resolvi atingi-la. Desde sempre reclamo dela e ela manda em minha vida dando de ombros para minhas reclamações, agora vou esbravejar para tentar expulsá-la de minha vida. Tá bom, até parece que é simples assim, nem sei se é neurológico, psicológico ou se foi alguma coisa que comi (tipo chocolate, amendoim, mortadela...). Quem eu acho que vou enganar? Eu só sei que ela vem e algumas vezes vem mais forte que Popeye pós espinafre, mas eu tenho que aturar. Parece que vou morrer, talvez até fosse preferível morrer ante algumas crises, mas nem adianta, enxaqueca não mata mesmo. Dito isso, já que viver é preciso, vamos ao que realmente importa: as enxaquecas metafóricas de nosso dia a dia.
Enxaqueca mesmo é ter que aturar um monte de padrões preestabelecidos (a nova ortografia, por exemplo) que não fomos convidados a construir porque nossos pais, avôs e outras mídias humanas acharam que sabiam mais que a gente e deixaram a receita. Isso de mais velhos serem mais sábios não é verdade universal. Se fosse assim a ciência de hoje em dia seria uma pasmaceira sem fim. E tudo que contraria os antigos seria absurdo, o que não acontece. Mas, como certas baboseiras conseguem permanecer em voga por muitos séculos, aqui nasce, cresce se reproduz e ainda não morreu meu sofrimento (quase um ser vivo): eu não me encaixo nas baboseiras, digo, tradições ou crenças de nossa sociedade. Não acredito em muitas coisas que me são enfiadas goela abaixo. Não acredito em deus. Não acredito em convívio gerar amor. Não acredito que a felicidade só exista pra quem encontra um par romântico. Não acredito que precise plantar uma árvore e ter filhos para ser feliz (escrever um livro até vale).Tenho certeza que dinheiro traz felicidade. Acho um saco ter que ouvir cantadas na rua. Acho péssimo não ter tempo para praticar mais de um hobby ao mesmo tempo. Acho o fim do mundo ter chefes mais idiotas que eu mesma. Por fim, acho um absurdo não ter cura (só tratamento) para enxaqueca.
Agora que é sabido o motivo de minha enxaqueca (todos supracitados), lembro que existiu um personagem chamado garoto-enxaqueca que, respeitando a mudança de gênero, foi meu apelido no tempo de faculdade. Significa que os motivos para meu sofrimento começaram cedo em minha humilde vidinha e por isso agora quero expurgar essa chatice, exorcizar esse diabo de dor, mandar pra ponte que caiu tudo que me causa ENXAQUECA.

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